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Pedro Chagas Freitas comenta morte de jovem brasileira lançada sem corda: “Onde estiveres…”
Maria Eduarda de Freitas morreu durante uma atividade radical, uma vez que não lhe foi colocada a corda de segurança…
Pedro Chagas Freitas recorreu à rede social Facebook esta segunda-feira, 15 de junho, para comentar a morte de uma jovem brasileira de 21 anos, que foi lançada de uma ponte no estado de São Paulo sem corda de segurança.
Maria Eduarda Rodrigues de Freitas estava a praticar rope jump no sábado e os instrutores da atividade radical não prenderam qualquer corda à jovem, por motivos ainda a apurar, o que fez com que fosse lançada em queda livre de uma altura de cerca de 40 anos.
A notícia está a correr o mundo e o escritor começou por escrever: “Querida Maria Eduarda. Não sei escrever-te. Quando morre alguém com noventa anos, conseguimos mentir. Dizemos que cumpriu o seu tempo, usamos as frases todas que os vivos inventaram para sobreviver à cabra da despedida. Quando morre alguém com vinte e um anos, não sei escrever”.
“Vinte e um anos não é uma vida inteira; é o começo dela, o esboço, a maqueta, o instante em que experimentamos o futuro todos os dias. Tinhas tanto: uma profissão, projetos, viagens, filhos talvez, netos talvez, milhares de cafés, milhares de abraços, milhares de manhãs, milhares de dias cheios de nada”, continuou.
Pedro Chagas Freitas prosseguiu: “A morte às vezes não chega depois. Queremos acreditar que é sempre assim. Que só acabamos depois de envelhecermos, depois dos cabelos brancos, dos corpos cansados, dos planos realizados. A morte pode vir antes do depois. Para ti, veio num dia que querias que fosse feliz. Todos queremos, não é? Li a frase que escreveste horas antes: ‘Quem foi o doido que deixou eu vir pular de uma ponte?’. A vida tem um sentido de humor monstruoso”.
“Não foste essa frase, essa queda, aquele vídeo, aquele instante. O que foste é o que todos somos a toda a hora. Foste vinte e um anos de gente que te amou, vinte e um anos de gargalhadas, de histórias. Os que ficam, ficam com perguntas gritadas ao ouvido: como é possível? Como é que tantas pessoas não repararam no mais elementar? Como é que ninguém viu? Como é que ninguém parou? São perguntas legítimas”, pode ainda ler-se.
O escritor acrescentou: “Eu sei que revolta. Porr*, revolta tanto. Apetece apontar dedos, atirar a matar. Tento resistir a isso. Tento o caminho da paciência difícil, aquela que quase nunca temos. Ainda não sabemos tudo. As investigações existem para isso. Os factos completos não costumam caber nas primeiras notícias. Não conheço aquelas pessoas. Não sei o que aconteceu, o que falhou. Vou tentar compreender antes de odiar. O ódio é burro, não esclarece nada”.
Pedro Chagas Freitas terminou: “Maria Eduarda, os teus pais vão acordar durante anos à procura do som da tua voz, os teus amigos vão pegar no telemóvel para te escrever. O amor faz-nos isso. Onde estiveres, sente-te amada”.
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