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Pedro Chagas Freitas deixa “recado” a quem se acha “superior porque não vê reality shows”: “Meu caro…”

O escritor dedicou uma “carta a quem pensa que é um ser superior porque não vê reality shows”…

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Reprodução | Redes Sociais

Pedro Chagas Freitas recorreu à rede social Instagram este sábado, 12 de setembro, para partilhar uma “carta a quem pensa que é um ser superior porque não vê reality shows”.

O escritor começou por escrever: “Meu caro, não vês reality shows: parabéns. ‘Eu não vejo essas coisas’. Quando o dizes, desdenhas, sorris. És o maior, é a tua pequena medalha. Não tem mal nenhum não veres. Estás no teu direito, exerce-o sempre. O problema é quando começas a dizer: ‘como é que alguém consegue gostar?’ Aí passas a juiz, a fascista do gosto. Não sejas assim. Quem te deu o direito de chamares burros às pessoas que gostam de coisas que tu achas estúpidas?”

“A inteligência não é ler Proust nem é ver o ‘Big Brother’. Ontem, depois de ler Séneca (estou a adorar as ‘Cartas a Lucílio’: leiam todos, se quiserem), fui ver a cadeira quente do ‘Big Brother’. Não vi, não vejo, contradição nenhuma nisso. O preconceito é burro”, acrescentou.

Pedro Chagas Freitas prosseguiu: “Às vezes quero refletir com Kierkegaard, outras vezes quero refletir com uma gala de expulsão de domingo à noite. Conheço tantos que leram os clássicos e são uns imbecis; conheço tantos que veem reality shows e são monumentos de lucidez”.

“Podes criticar, deves criticar, deves expor o que pensas, o que não te interessa nada ver; mas não te coloques no patamar do mais inteligente da tua rua só porque o resto da rua vê programas que tu achas que são lixo”, frisou.

Pedro Chagas Freitas escreveu ainda: “E anota aí: desde sempre, o humano gosta de saber da vida dos outros: queremos saber quem ama quem, quem odeia quem, quem traiu, quem mentiu, quem chorou. Os gregos chamavam tragédia a isto; nós chamamos prime time”.

“Meu caro, não vejas reality shows: desliga, lê, passeia, ouve Bach, observa nuvens, faz pão de fermentação lenta, medita, vê documentários sobre o colapso das civilizações antigas, faz o que te apetecer. Mas se puderes, faz-me um favor: não acredites que aquilo que não vês é aquilo que és. Abraço, Pedro”, terminou.

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