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Pedro Chagas Freitas analisa transferência de João Félix para o Al-Nassr: “Fez a sua opção…”

João Félix chegou a ser apontado para regressar ao Benfica, mas vai jogar na Arábia Saudita…

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Reprodução/Redes sociais

João Félix foi anunciado esta terça-feira, 29 de julho, como novo reforço do Al-Nassr. Chegou a ser rumorado que o futebolista estaria a ser negociado para regressar ao Benfica, depois de sair do Chelsea, mas acabou por transferir-se para a Arábia Saudita, onde assinou um contrato de dois anos, até 2027, vai ser companheiro de equipa de Cristiano Ronaldo e treinado por Jorge Jesus.

Uma vez que a mudança de João Félix para o Al-Nassr tem sido um tema amplamente comentado nos últimos dias na imprensa desportiva e redes sociais, Pedro Chagas Freitas partilhou um texto em que abordou a decisão que o futebolista tomou.

“João Félix está a ser atacado por todos os lados porque escolheu o que quase todos nós iríamos escolher no lugar dele: a liberdade. A liberdade absoluta de, em dois anos, ficar (muito mais) milionário – e livre para escolher onde vai jogar, e divertir-se. Scolari, um dia, explicou claramente que desde que ficou rico ficou melhor treinador. Eu entendo-o: quando se trabalha sem a pressão da conta bancária, é natural que se tomem melhores decisões; a liberdade faz-nos melhores decisores: menos pressionados tendemos a escolher melhor“, começou por escrever.

Neste sentido, o escritor também frisou: “Poucas coisas são mais hipócritas do que a diabolização que se faz do dinheiro. Félix já era milionário antes desta decisão; optou por ser mais, por ter mais liberdade ainda, por jogar com um amigo, por experimentar uma nova realidade – optou pelo que quis. O problema da sede é que pode fazer-nos beber do copo errado“.

Depois, Pedro Chagas Freitas realçou: “Félix fez a sua opção. Uma opção individual, válida, certamente alinhada com o seu propósito. Tão simples quanto isso. Tão respeitável quanto isso. Uma intenção não é uma promessa; é um registo de um desejo que, naquele momento, existe – e que, como todos os desejos, pode ser alterado, deixar de existir, ganhar novas formas. Ao mudar de ideias, não houve uma traição; houve uma alteração de desejo“.

Por fim, o escritor destacou ainda: “Todos mudamos de ideias a toda a hora. Para quê demonizar esta? Félix foi humano; acusá-lo de traição numa situação destas é desumanizá-lo, torná-lo numa máquina imutável. Chamar-lhe ganancioso é anular a humanidade de que somos feitos: uma espécie de espelho retorcido que deveríamos apontar a nós mesmos. Provavelmente, dentro de dois anos, estará mesmo a fazer o que disse que queria fazer: regressar ao berço, a casa, com a liberdade absoluta de não precisar de dinheiro para nada. Não o condeno, não lhe atiro pedras carregadas das minhas próprias frustrações. Tento entendê-lo. É um exercício maravilhoso“.

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