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Novo Banco diz que auditoria mostra concessão e gestão de crédito sem falhas

O presidente executivo do Novo Banco disse que pediu uma auditoria interna aos mesmos créditos avaliados pela Comissão Europeia e que não foram encontradas falhas na concessão e gestão dos empréstimos.

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Novo Banco diz que auditoria mostra concessão e gestão de crédito sem falhas

Lisboa, 29 mar (Lusa) — O presidente executivo do Novo Banco disse na quarta-feira que pediu uma auditoria interna aos mesmos créditos avaliados pela Comissão Europeia e que não foram encontradas falhas na concessão e gestão dos empréstimos.

“Na qualidade de CEO [presidente executivo], resolvi pedir uma auditoria a todas estas decisões de crédito e será entregue ao Ministério das Finanças e ao Banco de Portugal. Mas desde já digo que não foram detetadas quaisquer circunstâncias especiais”, afirmou António Ramalho, na conferência de imprensa de apresentação de resultados do banco referentes a 2017, em que apresentou prejuízos recorde de 1.395,4 milhões de euros.

No início de março foi divulgado um documento da Comissão Europeia sobre o Novo Banco, em que a Direção-geral da Concorrência europeia considerava que este parecia ter “falhas significativas nas suas capacidades de gestão”, desde logo na concessão de crédito e gestão do risco de crédito e avaliação de potenciais perdas.

Segundo o presidente do Novo Banco, o que os técnicos de Bruxelas fizeram foi escolher 20 créditos aleatoriamente e analisá-los, sendo que, disse, cinco já foram completamente pagos e apenas quatro foram dados já depois da criação do Novo Banco.

Foram esses mesmos créditos alvo de uma auditoria interna, após ter conhecido as críticas de Bruxelas, disse Ramalho, acrescentando que “não foi detetado rigorosamente nada”.

O Novo Banco anunciou na quarta-feira os resultados de 2017, que foram de prejuízos recorde de 1.395,4 milhões de euros, acima dos 788,3 milhões de euros de 2016, num ano em que constituiu mais de 2.000 milhões de euros de imparidades (provisões para perdas potenciais).

Na sequência deste nível elevado de perdas, o banco ativou o mecanismo de capital contingente negociado com o Estado português, pelo qual o Fundo de Resolução bancário irá capitalizar o Novo Banco num montante de 791,7 milhões de euros.

O presidente do Novo Banco afirmou que “não é necessário capital adicional” na instituição, considerando que as injeções de capital através do mecanismo contingente são normais, uma vez que foram previamente negociadas.

“O que está em causa aqui não é um aumento de capital, o que está em causa é um mecanismo previsto, organizado, e que nesse sentido iria ser sempre utilizado com naturalidade”, afirmou, referindo que com os montantes injetados o Fundo de Resolução “preserva o valor” da sua participação de 25% no Novo Banco.

Questionado sobre porque só agora foram reconhecidas imparidades tão elevadas, Ramalho disse que, até outubro, o banco era de transição, pelo que a entrada numa nova era, de banco em reestruturação, implicou nova reavaliação dos ativos problemáticos.

Do montante de 2.056,9 milhões de euros de imparidades, a maior parte foram para crédiro, de 1.229,2 milhões, seguidas de 398 milhões para atividades em descontinuação, 134,8 milhões de euros para títulos e 134,3 milhões de provisões para reestruturação (fecho de balcões e saída de pessoal) .

Entre os ativos para que o banco reforçou imparidades, disse Ramalho, que estão créditos do ex-BES para grandes obras no exterior.

O Novo Banco (criado em agosto de 2014 para ficar com os ativos considerados menos problemáticos do ex-BES) pertence desde outubro ao fundo de investimento norte-americano Lone Star, que detém 75%, mantendo o Fundo de Resolução bancário (entidade pública gerida pelo Banco de Portugal e Ministério das Finanças) os restantes 25%.

O mecanismo de capital contingente foi criado aquando da negociação da venda do Novo Banco à Lone Star e prevê que o Fundo de Resolução caputalize o Novo Banco até 3,89 mil milhões de euros durante oito anos por perdas num conjunto de ativos, caso essas perdas afetem os rácios de capital do banco.

Mesmo que o Fundo de Resolução venda a sua posição no Novo Banco, o mecanismo de capital contingente mantém-se por oito anos.

Sobre a redução de áreas de negócio acordadas com Bruxelas, António Ramalho indicou que o Novo Banco está em processo de concretização da venda da seguradora GNB Vida (ex-BES Vida).

Quanto a operações no exterior, está de saída de Londres, a reajustar a operação do Luxemburgo, ficando sem operação de retalho, a sair de Cabo Verde e a vender a operação minoritária em Itália.

Ramalho disse ainda que o Novo Banco fechará também balcões ‘private banking’ (destinados a clientes com altos rendimentos), mas que isso não implica limitação ao negócio de gestão de ativos.

Quanto a trabalhadores, depois de em 2017 terem saído 608, o Novo Banco quer que este ano saiam pelo menos mais 400 entre reformas antecipadas e rescisões por mútuo acordo.

Já sobre o que o acordo entre Portugal e a Comissão Europeia que prevê a saída de mais 1.000 trabalhadores caso o Estado tenha de entrar com mais dinheiro no banco (além do já previsto pelo Fundo de Resolução), Ramalho não disse como se processará então a saída dessas mil pessoas, considerando que um número dessa magnitude “não é sequer aceitável”.

O Novo Banco tinha, em dezembro passado, 5.488 trabalhadores, dos quais 5.156 em Portugal.

Ainda este semestre, o Novo Banco prevê emitir 400 milhões de euros em dívida subordinada para cumprir com exigências regulamentares.

IM // ARA

Lusa/Fim

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