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Menino de 3 anos morreu na carrinha da escola, onde ficou esquecido cerca de 12 horas

Segundo a Polícia de Orlando, Estados Unidos, o pequeno Miles Hill morreu depois de ter permanecido cerca de 12 horas dentro da carrinha da escola, num dia quente, com temperaturas a rondar os 35ºC.

A perda do sobrinho-neto de Barbara Linvingston deixou-a completamente de rastos… “Se deixamos os nossos filhos com alguém, ele está à responsabilidade dessa pessoa. Portanto, esperamos que essa pessoa assuma a responsabilidade de tomar conta dele”, refere Barbara Linvingston ao jornal Orlando Sentinel. E acrescenta: “Ele perdeu a sua vida por negligência de alguém. Não está correto! Não está mesmo correto! Se entram seis miúdos na carrinha, têm de se certificar de que saem os seis da carrinha!”

O corpo de Miles foi encontrado às 8h30, depois da motorista do centro de dia Little Miracles Academy ter entregue todas as crianças e ter levado a carrinho de novo para a escola.

John Mina, chefe da Polícia de Orlando, refere, entretanto, em comunicado, que a acusação está a pender para o lado da motorista da carrinha da escola que, ao ser questionado, afirma não ter feito a contagem das crianças, depois de saírem da carrinha.

“Este é o nosso pior pesadelo tornado realidade”, refere John Mina.

A tia-avó adianta, entretanto, que a família começou a ficar preocupada com o menino por volta das 20h00, na segunda-feira, depois de Miles não ter sido entregue às 18h30, como era costume. A carrinha, por vezes, atrasava-se, mas nunca tanto. Referiu, ainda, que a avó, que tem a custódia de Miles, começou a ligar para o centro de dia, mas sem resposta. Nessa manhã, a avó tinha falado com os donos do centro de dia, para que fosse encomendado um novo uniforme para o pequeno Miles. A avó chamou, depois, a polícia e dirigiu-se até ao centro de dia, na Plymouth Avenue off Gore Street, próximo do Orange Blossom Trail.

A avó foi com a polícia até à carrinha e lá estava o corpo de Miles, no chão… O chefe de Polícia adiantou, entretanto, que um funcionário de centro de dia também terá chamado a polícia.

“Esta é uma verdadeira tragédia, que podia perfeitamente ter sido evitada”, refere o chefe de Polícia, John Mina, adiantando que será realizada uma autópsia ao corpo de Miles, mas que o mais provável era que tivesse morrido por causa do calor extremo que se fez sentir dentro da carrinha.

Miles faria quatro anos a 22 de agosto.

Os donos do estabelecimento, Audrey and Bryant Thornton, que, entretanto, têm mais um centro de dia em West Colonial Drive, foram contactados pelo jornal Orlando Sentinel, mas sem sucesso. Ambos os centros estão “fechados até novo aviso”, como se pode ler na porta.

A tia-avó, Barbara Livinston, afirma que o seu sobrinho-neto era um rapaz inteligente e que gostava de estar com a família. Tinha sempre um sorriso na cara, quer fosse a receber mimos da avó ou a mostrar à tia-avó como se joga um jogo de carros no seu tablet.

“Ele estava sempre a fazer alguma coisa… Era um menino muito feliz!”

Segundo a associação  NoHeatStroke.org, uma associação que estuda o problema associado a estas mortes, Miles foi a quinta criança a morrer este ano, dentro de um carro, por insolação. Desde 1998, já morreram 732 crianças, fruto da mesma causa.

Amber Andreasen, diretor e chefe de voluntariado da organização não governamental e sem lucros, kidsandcars.org  – uma associação que estuda a segurança infantil no carro – afirmou que estas mortes podem, perfeitamente, ser evitadas com uma simples contagem das crianças, antes de saírem, e de uma verificação depois de terem todas saído.

“As instalações de prestação de cuidados infantis, como esta, têm de se assegurar que cumprem todas as precauções de segurança”, afirma Amber Andreasen. “Têm de fazer uma segunda, terceira ou quarta vistoria”, acrescentou.

Entretanto, a associação governamental de proteção infantil, Florida Department of Children and Families, está a tomar os devidos passos legais, para que ambos os centros de dia cessem atividade.

John Mina, o chefe da Polícia de Orlando, não refere, contudo, se os donos do estabelecimento serão acusados ou não, uma vez que a investigação ainda não está encerrada. Mas adianta que a motorista da escola terá ficado bastante consternada: “A funcionária do centro de dia tem colaborado bastante e está muito consternada com tudo isto”, afirma.

De acordo com dados da associação governamental, Florida Department of Children and Families, o centro de dia Little Miracles Academy falhou com o protocolo de transporte de crianças, durante uma inspeção que terá sido feita a 11 de julho de 2015. Os registos de transporte não incluíam alguns elementos importantes, como os horários de partida e de chegada e as moradas de destino. Segundo o relatório da inspeção realizada, estes problemas foram, depois, resolvidos.

Esta, foi uma das cinco violações deste centro de dia, relativos ao protocolo de transporte, durante as inspeções realizadas em 2015. Os outros problemas estarão relacionados com o facto de não terem uma auxiliar educativa com as crianças dentro da carrinha e de não terem registos dos alunos, durante as simulações de incêndio. Os registos associados à escola, mostram que os donos iniciaram esta atividade em 2009.

A tia-avó defende, entretanto, que os donos também deveriam ser acusados criminalmente. “Não é só trazê-los para casa, há que haver responsabilidade e a contagem de crianças é um dever!”, refere.

O clima, junto daqueles que trabalham ou que moram junto da escola, é de consternação. Foram várias as pessoas que entregaram flores e brinquedos à porta da escola, em homenagem ao pequeno Miles.

Entretanto, a associação governamental, Florida Department of Children and Families, está a contactar as famílias com crianças inscritas naquele centro de dia, de forma a puderem transferi-las para outro lugar.

Na terça-feira à noite, dezenas de pessoas reuniram-se num memorial improvisado, onde se chorou a morte de Miles e se exigiu justiça.

“Não é justo!”, gritou a tia de Miles, Betty Federick, em frente à população que ali se  reuniu. “Toda a minha família está a chorar a morte de Miles e a sofrer por algo que não tiveram culpa. O pequeno e inocente Miles não teve, sequer, oportunidade de iniciar a sua vida.”

A avó, Corey Esters, refere, entretanto, que a família não obteve, ainda, uma, única palavra dos donos do estabelecimento, o que se revela especialmente doloroso pelo facto de conhecer Audrey Thornton há muito tempo…

“Nós conhecemo-nos há muito tempo, andámos na escola juntas. Teria sido diferente se ela me tivesse dito qualquer coisa”, refere a avó. “Se ela o tivesse feito, teria sido mais fácil perdoar isto tudo”, finaliza.

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