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Júlio Isidro distinguido com o prémio Mérito e Excelência: “Fiz tudo o que havia para fazer…”

Júlio Isidro foi homenageado na gala dos Globos de Ouro…

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Reprodução SIC

Júlio Isidro foi distinguido e homenageado na gala dos Globos de Ouro deste domingo, 28 de setembro, com o prémio Mérito e Excelência. O apresentador e locutor de rádio recordou alguns momentos marcantes que viveu na sua carreira de 65 anos e agradeceu o gesto da SIC.

Passaram entretanto, imaginem, 65 anos, em que eu fiz tudo o que havia para fazer em televisão, em rádio e em apresentar espetáculos ao vivo. Mas como sempre fui provisório, fui apenas colaborador da casa onde estive, da RTP, ficava sempre na expetativa de saber: “Será que daqui a 13 semanas me vão contratar outra vez?”. Às vezes contratavam, outras vezes não. Quando não acontecia, eu tinha que me desenrascar: fui delegado de propaganda médica, andei de consultório em consultório a apresentar os medicamentos, ainda me lembro de cor algumas composições químicas e, independentemente disso, escrevia ou para jornais ou para revistas ou contracapas de discos e fui sempre tentando trabalhar nos intervalos em que a televisão não se lembrava de mim“, afirmou.

Júlio Isidro refletiu de seguida sobre o seu percurso profissional: “Eu penso que praticamente fiz tudo, só não fiz relatos de futebol, porque se fosse ver os relatos de futebol ficava a ver a bola andando e eu não dizia nada. Em termos de desporto, fiz essencialmente o desporto automóvel. E fiz também da minha vida uma coisa fundamental: aprendi que ser provisório é sempre também um estímulo e vai daqui a minha profunda homenagem para os atores, para os cantores, para os técnicos, para todos daqueles que fazem da vida uma aventura, porque realmente trabalham como a cigarra: cantam no verão para terem alguma coisa para sobreviver no inverno, ficam sempre à espera de ser contratados para uma novela, para um espetáculo, para poderem sobreviver. Gostar desta coisa do teatro, do cinema, da música é mesmo um ato de paixão, porque é uma enorme aventura, é uma estranha forma de vida aquela que eu escolhi e que muitos que estão aqui cheios de talento também escolheram“.

No palco do Coliseu dos Recreios, em Lisboa, o apresentador deixou também um conselho: “Não entrem em cena convencidos pelo facto de serem já umas estrelas, se vão sair muito bem, é preciso trabalho, muito trabalho, aquilo que se vê aqui é resultado de muito trabalho“.

Depois, Júlio Isidro partilhou: “Com esta idade, para mim é fundamental eu poder sentir-me mais ou menos em forma. Fui ao médico, andava com dores das costas e ando habitualmente, e perguntei: “Doutor, estas dores serão artrite?”. Ele disse: “Não, isso é rigor mortis antecipado”. Mas, enfim, as análises têm sido razoáveis e eu penso que tenho ainda futuro para construir o futuro“.

O apresentador mostrou-se grato à SIC pela homenagem com um prémio carreira: “Tiveram memória“. Sublinhou a importância de viver “em paz“, principalmente com o clima de guerra que se vive em outros países, e recordou quando deu uma entrevista ao Expresso em 1981: “Estava eu a começar a explodir com a ‘Febre de Sábado de Manhã’, com ‘O Passeio dos Alegres’, com essas coisas todas, criei ali uma premonição. Eu dizia pura e simplesmente: “Tenho prazo de validade como os antibióticos”. E acontece uma coisa, passaram estes anos todos e eu acho que, por enquanto, ainda não sou tóxico“.

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