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FMI desvaloriza divergência sobre défice e diz que números serão revistos

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O diretor adjunto do departamento de Assuntos Fiscais do Fundo Monetário Internacional (FMI) desvalorizou à Lusa a divergência entre o Fundo e o Governo português sobre as previsões para a evolução do défice orçamental.

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Washington, 18 abr (Lusa) – O diretor adjunto do departamento de Assuntos Fiscais do Fundo Monetário Internacional (FMI) desvalorizou hoje à Lusa a divergência entre o Fundo e o Governo português sobre as previsões para a evolução do défice orçamental.

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“Vamos ter sempre visões diferentes sobre o crescimento, o défice ou o rácio da dívida, mas o que vai acontecer é que a atualização dos números [do FMI] será incorporada na nova previsão”, disse Abdel Senhadji, sublinhando que “as diferenças também não são assim tão grandes”.

Em declarações à Lusa em Washington, no âmbito dos Encontros da Primavera, o diretor adjunto do departamento de Assuntos Fiscais, liderado por Vitor Gaspar, desvalorizou a diferença nas previsões sobre a evolução do défice orçamental, salientando que os números do FMI foram apurados antes da divulgação das Previsões Económicas Mundiais, apresentadas na terça-feira, e que as estimativas do Fundo para o crescimento e a inflação até são melhores do que as do Governo.

“Para o crescimento e a inflação, até somos ligeiramente mais otimistas do que o Governo português”, exemplificou Abdel Senhadji, notando que em maio, durante as conversações ao abrigo da análise do Artigo IV, o FMI vai apresentar novas previsões para Portugal.

“Há uma questão de prazos; os números serão discutidos com as autoridades e será feita uma nova onda de previsões, e depois vamos atualizar em julho as Previsões Económicas Mundiais, depois do debate no âmbito do Artigo IV com Portugal, na segunda metade de maio”, acrescentou.

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“As diferenças também não são assim tão grandes”, vincou.

Questionado sobre se o objetivo da atualização era equiparar as previsões às metas estabelecidas pelo Governo no Programa de Estabilidade, Abdel Senhadji respondeu: “Ficar iguais não sei, vamos ter sempre visões diferentes, a nova divulgação será incorporada na previsão da equipa, isso não significa que será igual, mas será tido em conta”.

O FMI estima um défice de 1% do PIB este ano em Portugal e que o saldo se mantenha negativo até 2023, ao contrário do Governo português, que prevê apresentar um défice perto de zero já em 2019.

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No ‘Fiscal Monitor’, relatório com as previsões orçamentais do mundo, o FMI melhorou ligeiramente a estimativa para o défice orçamental português deste ano para 1% do PIB, face aos 1,1% que tinha antecipado em fevereiro.

Apesar de ter melhorado a estimativa do défice de 2018, o Fundo prevê um défice superior em 0,3 pontos percentuais perante o assumido pelo Governo no Programa de Estabilidade entregue à Assembleia da República na sexta-feira.

As projeções referentes a Portugal, que são coordenadas pelo ex-ministro das Finanças Vítor Gaspar — agora diretor do FMI –, baseiam-se no Orçamento do Estado para 2018 (OE2018) e foram “ajustadas para refletir as previsões macroeconómicas” do Fundo.

Na terça-feira, a instituição liderada por Christine Lagarde mostrou-se ligeiramente mais otimista para 2018, esperando mais crescimento económico (2,4%) e menos desemprego (taxa de 7,3%) do que o Governo. No Programa de Estabilidade, o executivo antecipa um crescimento económico de 2,3% este ano e uma taxa de desemprego de 7,6%.

As estimativas orçamentais do FMI até 2023 são também menos otimistas do que as do executivo liderado por António Costa.

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No Programa de Estabilidade, o Governo compromete-se com um défice orçamental próximo de zero (0,2% do PIB) já em 2019, último ano de legislatura e ano de eleições europeias e legislativas. A partir daí, são esperados excedentes orçamentais que crescem todos os anos: 0,7% do PIB em 2020, 1,4% em 2021 e 1,3% em 2022.

No entanto, o FMI — que tem como base um cenário de políticas invariantes para os próximos anos — não só não acredita em excedentes orçamentais até 2023, como considera que até esse ano o défice continuará mais perto de 1% do que de zero.

No ‘Fiscal Monitor’, o Fundo estima que Portugal tenha um défice orçamental de 0,9% em 2019, de 0,8% em 2020, de 0,7% em 2021 e de 0,6% em 2022 e em 2023.

O saldo primário, que exclui os encargos com a dívida pública, vai manter-se acima dos 2% neste período de previsões, segundo o FMI: 2,3% em 2018 e em 2019, 2,2% em 2020 e em 2021 e 2,1% em 2022 e 2023.

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MBA (SP) // CSJ

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