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“Acho que vou deixar de ver”. Pedro Chagas Freitas lamenta estado atual dos reality shows em Portugal

Pedro Chagas Freitas refletiu sobre as edições portuguesas de reality shows e comparou ao caso brasileiro…

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Pedro Chagas Freitas/Instagram e Divulgação TVI

Pedro Chagas Freitas recorreu à rede social Instagram esta segunda-feira, 24 de novembro, para partilhar uma reflexão sobre o estado atual dos reality shows em Portugal. Com o Secret Story 9, apresentado por Cristina Ferreira, atualmente em exibição, o escritor fez um balanço dos prós e contras e, inclusive, comparou ao caso brasileiro.

Acho que vou deixar de ver reality shows. Pelo menos os portugueses. Não reconheço ali qualquer ligação à realidade. É tudo cada vez mais encenado, mais artificial, mais construído à volta de uma narrativa que dê jeito. Não há pessoas; há arquétipos. O casal que serve para alimentar o romantismo barato, os conflitos que garantem cliques, a vítima útil que mobiliza audiências piedosas. É um teatro pobre, sustentado pela crença de que o público tem memória curta e uma tolerância infinita para a repetição“, começou por escrever.

Neste sentido, Pedro Chagas Freitas também deixou um alerta: “Há uma outra perversão que não suporto: a do voto pago. Não é o país que decide, não é a sensibilidade coletiva ou o julgamento público; é a carteira dos grupos organizados, uma milícia digital que compra permanências. Quem paga mais vence. A suposta democracia do entretenimento transforma-se num simulacro sem interesse nenhum. O resultado não é expressão de preferência, o jogo deixa de ser jogo; torna-se numa operação comercial com uma camada decorativa de emoção“.

O ódio é permitido, até alimentado; o preconceito que aparece por lá não é aproveitado para ensinar. Normalizam-se maus-tratos, humilhações; transformam-se comportamentos inaceitáveis em conteúdo. Nada é usado para aprofundar, para entender, para dar complexidade ao enredo. Tudo é usado para vender. O importante é que haja votos“, acrescentou.

Já sobre o que acontece no Brasil, o escritor destacou que “vota-se sem pagar” e que “metade dos votos exige CPF (uma pessoa, um voto) e a outra metade permite o delírio dos fandoms“: “É uma solução imperfeita, mas contém um vestígio de justiça“.

Voltando ao caso português, Pedro Chagas Freitas não se mostra muito otimista com o que o futuro no que aos formatos diz respeito: “Em Portugal, começo a acreditar que não vale a pena. A realidade deixou de ser real, a competição deixou de ser competição. Eu via para compreender melhor a minha própria espécie, para me divertir com o jogo, com a complexidade tão grande de sermos humanos; percebo agora que talvez estivesse a assistir a uma telenovela com um guião que tem pouco de verdade. Se é para ver ficção, prefiro ver da boa“.

Veja em baixo:

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